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  • marianadiascadastr

Por que seu porquê importa?


“Aquele que tem um porquê forte, pode enfrentar quase qualquer como.”

Friedrich Nietzsche



Se você tem alguma dúvida sobre a veracidade dessa afirmação, sugiro que leia o livro de Viktor Frankl, “Em busca de sentido”. Viktor Frankl foi um psicólogo que passou por campos de concentração nazistas, onde viveu por cerca de 3 anos. Com a visão de um psicólogo, pode fazer observações muito interessantes sobre o comportamento humano.


Ali, observou pessoas em condições de extrema privação e violência conseguindo levantar-se todos os dias para realizar trabalhos forçados pesados, mesmo com o corpo em pele e osso. Como aquelas pessoas conseguiam seguir em frente naquelas condições? O que as fazia levantar seus corpos deteriorados e desnutridos para realizar trabalhos tão pesados? De onde seus corpos tiravam a energia necessária para tamanho esforço diário?


Através de suas observações da vida humana em condições tão extremas ele pode verificar que essa energia extra da qual o corpo se utilizava era produzida a partir de uma atividade mental encontrando sentido naquele sofrimento todo. As pessoas buscavam em suas ideias um sentido para passar por tudo aquilo até o dia da libertação. Sentidos fortes, de profundo significado para cada uma daquelas pessoas. O sentido produzido mentalmente gerava a energia extra de que precisam para continuar.


Quando uma pessoa perdia seu sentido, se desapegava dele, tudo mudava... sua expressão, seu olhar... e se entregava às fraquezas do corpo. E os prisioneiros aprenderam que quando alguém perdia o sentido de continuar, a morte chegava dentro de 48 horas em média.


Falei bastante sobre as descobertas de Viktor Frankl mas com o propósito de trazer para você o exemplo mais poderoso sobre a força de um porquê.


Tenho certeza que nenhuma pessoa que tenha acesso à leitura desse meu artigo está vivendo em condições tão extremas como as de um campo de concentração. Se um porquê forte tem todo esse poder em condições tão extremas, imagina o que ele pode fazer por você, na sua vida.


Outros estudos citados por Ryan e Deci no livro Self Determination Theory, apontam, entre outras coisas, que um propósito baseado em objetivos intrínsecos (são aqueles relacionados a relacionamentos significativos, doar para a comunidade, crescimento pessoal, etc), corroboram para uma vida mais significativa, enquanto que propósito baseado em objetivos extrínsecos (são aqueles relacionados a dinheiro, fama, imagem, poder, etc) frustram esse sentimento.


Ou seja, a qualidade dos propósitos que você estabelece em sua vida tem muito poder sobre a sua disposição / energia para persegui-los e, consequentemente, afeta a qualidade de suas entregas, e a qualidade de sua vida.

Esse é apenas um dos inúmeros dados que mostram o poder de um porquê (de um propósito) sobre a vida de alguém.


O que vemos por aí é muita gente focada no fazer constante, na realização de tarefa após tarefa no trabalho, ou em um projeto qualquer de vida, sem nunca refletir no “porquê” que a move naquela direção. Nunca pensam em propósito porque não entendem o valor disso. Eu nem gosto da palavra propósito porque parece que gerou um ar meio fantasioso em torno dela.


A questão é que já é de conhecimento pleno a diferença que existe na qualidade de das entregas, resultados e bem-estar das pessoas que trabalham orientadas por um porquê forte, das pessoas que simplesmente saem fazendo, cegamente, fazendo por fazer, de forma sem visualizar um sentido significativo para elas.


Esse trecho do livro Self Determination Theory fala bem sobre isso:


“De acordo com a SDT, bem-estar deve ser contextualizado em termos de funcionamento pleno. (...) Uma pessoa psicologicamente bem é aquela que pode mobilizar e energia física e psicológica para perseguir atividades de valor, particularmente, atividades para as quais a pessoa sente incumbência e motivação. Isso nos leva para a questão da Vitalidade, talvez a característica mais geral de uma pessoa em pleno funcionamento.”


Por isso... sim, seu porquê importa e muito, porque tem força real sobre seu corpo e mente. Seu porquê orienta suas ações no mundo. Suas ações criam suas experiências. E suas experiências criam VOCÊ. Quem é esse “você” que está construindo com as atitudes de hoje? Quem é o VOCÊ que realmente quer construir?


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