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  • marianadiascadastr

Por que Autonomia importa?


Bom, antes de responder a esta pergunta, vamos entender o que é Autonomia?


“Ser autônomo significa agir de acordo com suas próprias considerações resultando de alto nível de reflexão, logo, ações autônomas são aquelas que podem ser auto endossadas e pelas quais a pessoa assume responsabilidade.”

Richard M. Ryan e Edward L. Deci


Richard M Ryan e Edward L . Deci são pesquisadores e responsáveis pela Teoria da Auto Determinação Humana. Seus inúmeros estudos levaram a identificar três necessidades psicológicas básicas para o florescimento de um indivíduo (seu pleno desenvolvimento).


A Autonomia é uma destas três necessidades psicológicas básicas para qualquer ser humano, independente de cultura, independente de você gostar ou não. Todo ser humano precisa de autonomia sobre sua vida para seu pleno desenvolvimento.


Mas vamos entender isso melhor. O que seriam essas “próprias considerações”, “alto nível de reflexão”, “ações auto endossadas” colocadas na definição de Autonomia?


Talvez fique mais claro se eu responder a tudo isso me usando aqui como exemplo.


Como já contei em outras oportunidades, eu trabalhei por muitos anos na indústria. Quanto tomei decisões sobre minha vida profissional, eu tinha uma questão muito prática em mente: dinheiro. Por sorte, acabei gostando da área que escolhi. Eu segui um caminho muito comum seguido por diversas pessoas: faculdade, emprego e carreira dentro de uma empresa.


Quando tomei as decisões que tomei na época, eu estava levando em conta minhas “próprias considerações”?


Bom, de todas as considerações que fiz, uma única era resultado de uma autorreflexão, porém, de baixo nível de autorreflexão, pois se tratava de uma questão muito prática: eu precisava de dinheiro.


Outras considerações que levei em conta: procurar emprego, em uma grande multinacional do setor, fazer carreira dentro de uma empresa, etc... todas essas considerações não eram exatamente “minhas”, digamos que as tomei emprestado do “meio externo” e assumi como verdades minhas, já que era esse o discurso comum do melhor caminho depois de sair da faculdade.


Minhas decisões foram resultado de alto nível de autorreflexão?


De modo algum. Foram considerações do meio, que me pareciam fazer sentido e aceitei sem refletir muito profundamente sobre isso.


Minhas ações foram ações auto endossadas?


Parcialmente, de certo modo eu acreditava que estava fazendo a coisa certa, apesar de um ponto de interrogação viver ativo lá no fundo da minha alma. Algo dentro de mim não se ajustava muito bem à tudo aquilo, mas ignorei e segui acreditando (com base em reflexões de baixo nível) que era o que tinha que ser feito.


O que significa tudo isso?


Que o que eu estava vivendo em minha vida profissional como consequência das decisões que fui tomando com baixo nível de autorreflexão, parcialmente endossadas sem levar em conta minhas próprias considerações a respeito do assunto, havia baixo nível de autonomia.


Qual a consequência disso?


Com o tempo vivendo dessa forma, todas as questões que não foram consideradas e respondidas, começaram e emergir em forma de incômodo e insatisfação. Algo dentro de mim não estava sendo satisfeito, pois não havia sido considerado, não foi “enxergado” pelo meu baixo nível de autorreflexão.

Em determinado ponto da minha carreira, comecei a me sentir insatisfeita com o que estava obtendo das minhas experiências profissionais. Essa insatisfação começou suave, falando baixinho, e foi crescendo ao longo dos anos até que começou a gritar. Cheguei em um momento tão desagradável que senti a necessidade de fazer uma “autorreflexão de alto nível”.



Foi quando então comecei um processo de uma série de questionamentos internos, reflexões para encontrar respostas, tudo dentro de um processo de autoconhecimento. Veja que o que eu buscava eram respostas DENTRO de mim, e não fora. E foi só por isso que cheguei em algum lugar.


Muitas pessoas tem o hábito de buscar fora de si uma solução (de preferência rápida e fácil) para esses incômodos da vida (compras e mais compras, bebidas, drogas e qualquer outra coisa que as afaste de questões incômodas, para as quais não querem olhar e nem responder, pois não querem lidar com a dolorosa - porém gratificante - experiência de evoluir).


Ao fazer a autorreflexão de alto nível, descobri que os meus valores mais importantes não estavam sendo satisfeitos pela realidade que eu vivia naquele caminho profissional:


Liberdade

Criatividade

Cuidar do outro

Contribuição


Dessa forma, comecei a me questionar muito sobre o que poderia me satisfazer por completo usando habilidades minhas de uma forma a cultivar diariamente ou quase que diariamente esses valores tão fortes? De que forma que poderia fazer da minha vida profissional um espaço para me realizar como verdadeiramente sou?


E na busca pelas respostas a estas perguntas, encontrei a minha forma de trabalhar. E nessa nova forma de trabalhar tenho alto grau de autonomia. Eu criei minha forma de trabalhar com base em tudo o que acredito e desejo viver. Eu endosso 100% minhas ações. Desta vez, trabalhei com minhas próprias considerações (indo contra o senso comum de pessoas que aparecem com discursos desencorajadores). E tudo isso foi resultado de minhas autorreflexões de altíssimo nível (as quais faço O TEMPO TODO). Eu aprendi a fazer autorreflexões mais ricas e a usá-las para ganhar força e confiança em cada uma das decisões.


Resultado disso tudo?


Hoje me sinto MUITO inspirada para trabalhar, na verdade, nem me sinto trabalhando. Hoje vivo um bem-estar emocional que nunca vivi antes. Hoje sinto que existe uma causa maior no que faço, meu senso de contribuição está sendo satisfeitos todos os dias quando estou envolvida com meu trabalho. Hoje vivo a liberdade de criar, e trilhar os caminhos da vida profissional (e do meu estilo de vida), no meu ritmo, a meu próprio modo. Não existe segunda-feira, sexta-feira, domingo. Sinto grande satisfação com as experiências que estou vivendo. Estou consciente de cada uma delas, do que me levou e está me levando a elas. E conquistei a autonomia para tomar as decisões, através de minhas mais profundas reflexões, sobre que tipo de experiências quero viver ou não, sobre que tipos de desafios quero e posso colocar em meu caminho ou não.


Por que Autonomia importa, então?


Autonomia é o que coloca em suas mãos as rédeas da sua vida. Não que a gente controle tudo, mas temos consciência profunda de nosso ambiente interno e externo para tomarmos as melhores decisões de vida e em cada situação que se apresenta.


Conquistar autonomia sobre sua vida profissional coloca em suas mãos a oportunidade de expressar o que você tem de melhor no que escolhe fazer. Você passa a ter escolhas. E o resultado disso é o florescimento de uma motivação intrínseca com seu trabalho, com seus projetos de vida.


A autonomia importa, porque é com ela que você cria as experiências de vida para o seu mais alto nível de florescimento como ser humano e satisfação plena com sua vida.


Se te perguntarem “Você tem autonomia sobre a sua vida?”, qual seria sua resposta? Você sabe responder essa pergunta?


Nunca refletiu sobre isso? Então comece. E uma forma de começar é pela sua Vida Profissional, que é geralmente a área onde cometemos grandes atrocidades contra nossa natureza.


  • Você tem autonomia sobre sua Vida Profissional?

  • Você sente que dirige o rumo da sua vida profissional?

  • Existe conflito interno de pensamentos, desejos, valores em relação ao que você faz como trabalho?

  • Você trabalha com o que realmente gostaria?

  • O que determinou as principais decisões que tomou sobre sua Vida Profissional ao longo do tempo? Que tipo de pensamentos / fatores guiaram suas principais decisões?

  • Se sente inteira, ou seja, com sua natureza “bem representada” com o trabalho que faz?

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