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  • marianadiascadastr

O seu trabalho molda toda uma sociedade





Acredito que precisamos parar um pouco e tomar uma distância para enxergar melhor a idéia que temos de trabalho e a forma como nos relacionamos com nossa vida profissional.


Estamos tão acostumados com os padrões profissionais atuais que não paramos para analisar se o padrão nos atende. Ao invés disso, lutamos vida à fora para atendermos aos padrões exigidos.


Porém, esses padrões tem uma origem histórica, que foram criados para atender às necessidades de grandes poderosos industriais visando somente o lucro, sem considerar o componente humano do outro lado. Humanos foram reduzidos a peças de engrenagem de uma grande máquina de produzir lucro.


Pessoas não foram ensinadas a pensar, a refletir sobre si e seus próprios talentos e necessidades naturais. Ao contrário, foram ensinadas a acreditar que precisavam de emprego para garantir sua sobrevivência. Sobreviver passou a ser tudo o que importava.


Mais tarde, humanos foram ensinados a se especializar mais para melhor servir à engrenagem da máquina de lucro. Escolas foram estruturadas para formar melhores peças para esta engrenagem, ao invés de formar melhores humanos para a sociedade. E acredito que foi assim que nos colocamos como servos da economia, quando na verdade a economia deveria nos servir.


E assim nos comportamos cegamente: nessa ânsia para se encaixar, para ser a melhor peça para a engrenagem, sem nunca refletir se ser essa peça é o melhor que você tem para oferecer como SER, provido de grande capacidade criativa, de grande inteligência.


A natureza humana, na qualidade de organismo vivo que é, tem como essência, tem como natural, criar, explorar e desenvolver-se, desenvolver suas estruturas. É isso que deveríamos estar fazendo na maior parte de nosso tempo. Ops! Onde é mesmo que concentramos a maior parte de nosso tempo?? Hum... no trabalho, não é? Então não seria no trabalho onde deveríamos estar focados em criar, explorar, desenvolver-nos??


Precisamos ser mais questionadores e entender melhor a origem desse condicionamento em que vivemos nossas vidas. Estresse, cansaço, medos constantes da falta de algo, falta de tempo, filhos crescendo sem a atenção dos pais, ambientes competitivos pesados, ansiedade... será que é assim mesmo que deveria ser? Somos os únicos seres vivos da natureza terrestre que vive assim... será que está certo isso mesmo? Será mesmo que “faz parte”? Ou será que fechamos demais os olhos e aceitamos estruturas e modelos construídos em um passado regado pela ignorância humana sobre si mesma?


Será que estamos produzindo pessoas e um mundo melhores neste formato?


Será mesmo que estamos usando a maior parte do nosso tempo de vida da melhor forma?


Será que uma sociedade de pessoas mais questionadoras, mais criativas, mais autônomas sobre suas vidas profissionais, sobre seu próprio desenvolvimento, mais exploradoras, não produziria uma sociedade mais justa, mais colaborativa, mais inclusiva, mais desenvolvida e mais acolhedora e acessível a todos?


Será que a forma como vivemos hoje e empregamos nosso tempo na luta constante pela sobrevivência, está mesmo dando certo?


Será que não é justamente essa atual orientação para a sobrevivência que nos torna mais egoístas, competitivos e focados em TER ao invés de SER?


Será que pessoas mais realizadas e felizes com a forma que empregam seu tempo trabalhando não produz pessoas mais empáticas e mais dispostas a estender a mão para o outro, em uma corrente colaborativa ao invés de uma corrente competitiva?


Será que somos verdadeiros humanos integrantes da natureza terrena neste estado constante de sobrevivência e competição?


Será que essa mudança na nossa relação com o nosso trabalho para um espaço de SERmos mais criativos, mais exploradores (no sentido de curiosidade para entender e criar, buscar e desenvolver-se) não traria mudanças profundas e significativas em nossa forma de viver em sociedade, de forma a nos tornarmos mais justos?


Eu acredito que quando você sai do modo de sobrevivência, você começa a olhar para o outro com mais compaixão, começa a querer usar sua força de trabalho para melhorar a vida de outros, e não mais para garantir o seu, e não mais para querer tirar o máximo para si unicamente. Esse é um comportamento típico de quem está focado na escassez, é típico de pessoas de baixa confiança em si, na vida, nos outros. Está sempre competindo. Está sempre em modo de defesa. É o tipo de pessoa que não pensa em colaborar. E uma sociedade em que grande parte não está pensando e agindo de forma colaborativa, é bem difícil que consigamos construir uma sociedade justa à serviço de todos.


Já quem foca em abundância sabe que existe espaço e recursos para todos e, assim, direciona seus esforços para produzir pelo bem-estar de todos. Esse não se preocupa com a falta, esse é grato pela abundância da vida e se coloca como peça de uma engrenagem de uma sociedade colaborativa, justa, que produz o bem-estar para todos.


Não dá para ficar esperando que apareça um salvador da pátria que vai tornar nossa sociedade e toda a humanidade mais justa. Isso é responsabilidade nossa, de cada um, de todos, e não de uma única pessoa, ou de apenas algumas pessoas.


Não dá para ficar esperando que os grandes líderes se deem conta disso tudo e entreguem para você um novo e mais significativo destino profissional. Isso é seu, é você quem deve dizer e determinar como você quer empregar seu tempo. A atenção é sua, é você quem decide se vai direcionar sua atenção para o que falta ou para a abundância que existe em cada um de nós e na vida.


Os grandes líderes, os governantes, todos são frutos da massa que forma a sociedade, e carregam a mentalidade social em que vivem. Quando assumirmos nossa responsabilidade individual pela qualidade da coletividade em que vivemos, aí sim conseguiremos produzir os líderes e governantes mais justos que queremos.


Nós todos produzimos essas figuras. Eles nada mais são do que a representação da qualidade da sociedade que estamos produzindo neste momento.


Portanto, uma simples reflexão e decisão de como você quer empregar o seu tempo de trabalho, e que tipo de resultados para a sociedade deseja produzir, colocando todo seu talento nisso, é o que precisamos para construir nosso tão desejado e aparentemente distante milagre social.

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